Para muitas mulheres, a fase menstrual é sinónimo de dor no baixo-ventre, peso na lombar, sensação de cansaço ou irritabilidade. É aceite que, durante um ou dois dias, vão simplesmente ter de “aguentar”. Sentir algum desconforto durante a menstruação pode ser comum, mas dor intensa, incapacitante ou cada vez pior não deve ser encarada como algo normal.
O corpo comunica connosco de várias formas — e esta é uma delas.
No âmbito da saúde da mulher, existem alguns sintomas que sempre foram banalizados. Hoje falamos de dismenorreia ou dor menstrual. Quando a dor menstrual interfere com o trabalho, o descanso, o exercício físico ou o bem-estar emocional, deixa de ser apenas “uma fase do mês” – deve passar a merecer ainda mais atenção.
Porque é que a fase menstrual pode causar dor?
Durante a menstruação, o útero contrai para ajudar a eliminar o revestimento uterino. Essas contrações podem provocar cólicas, sobretudo nos primeiros dias do ciclo. Em muitas mulheres, a dor concentra-se no baixo-ventre, mas também pode irradiar para a zona lombar ou para as pernas.
Estamos a falar de uma situação muito comum. Um dos estudos consultados para este artigo, realizado no Reino Unido em fevereiro de 2025, reporta que 50% das mulheres já teriam consultado um profissional de saúde acerca de dores menstruais (ou hemorragias abundantes).1
Quando é que a dor deixa de ser “normal”?
Vale a pena procurar avaliação quando a dor menstrual:
- a impede de trabalhar, estudar ou manter a sua rotina habitual;
- não melhora com medicação habitual ou medidas simples (ex: saco de água quente, descanso, etc.);
- se torna progressivamente mais intensa;
- vem acompanhada de menstruação muito abundante ou irregular;
- é acompanhada de dor nas relações sexuais, ao urinar ou ao evacuar;
- aparece juntamente com perdas de sangue fora do período menstrual.
Em alguns casos, dores menstruais fortes podem coexistir com quadros como endometriose, adenomiose, miomas ou outras alterações ginecológicas. Por isso, investigar não é alarmismo — é cuidado.
Olhar para o ciclo como um todo
Muitas vezes, a dor menstrual não aparece sozinha. Pode surgir lado a lado com inchaço, alterações intestinais, fadiga, tensão pré-menstrual, dores de cabeça ou enxaquecas, alterações do sono ou maior sensibilidade emocional. Além disso, o stress do dia a dia pode amplificar a forma como o corpo vive esta fase do ciclo.
É precisamente por isso que, numa abordagem integrativa, não olhamos apenas para a dor. Observamos o padrão: quando começa, quanto tempo dura, onde se localizam as queixas, que outros sintomas a acompanham e como afeta a vida da mulher mês após mês.
Como pode a acupuntura ajudar?
A acupuntura pode ser uma opção complementar interessante para mulheres que procuram aliviar dores menstruais de forma natural e integrada. Em consulta, o objetivo não é apenas “tirar a dor” naquele momento, mas compreender o padrão do ciclo e ajustar o tratamento às necessidades de cada pessoa.
Na prática, isso significa olhar para sinais como a intensidade da dor, a presença de coágulos, sensação de frio ou calor, irritabilidade, cansaço, qualidade do sono, digestão e outros sintomas associados. Cada caso é um caso — e essa individualização faz toda a diferença.
Para quem nunca experimentou esta abordagem, pode também ser útil ler o nosso artigo sobre quantos tratamentos de acupuntura são normalmente necessários, para perceber melhor como funciona o processo.
Não tem de aceitar a dor como inevitável
Habituar-se à dor não é o mesmo que ela ser normal. Se todos os meses sente que a sua qualidade de vida abranda por causa da menstruação, talvez esteja na altura de olhar para esse sintoma com mais atenção.
Com a avaliação certa, é possível perceber melhor o que está a acontecer e encontrar estratégias para aliviar a dor, melhorar o bem-estar e viver o ciclo com mais conforto.
Se sofre com dores menstruais, a acupuntura pode fazer parte desse caminho, sempre com uma abordagem individualizada e, quando necessário, em articulação com acompanhamento médico.
Se sentir apelo, visite-nos ou agende a sua consulta através do telefone 219210023 ou através do nosso sistema de marcações online.
Se estiver em risco imediato, contacte o 112.
Não dispensa a consulta do seu médico especialista.









