Ortosónia: quando o relógio piora o sono

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A ortosomnia acontece quando a obsessão com os dados do relógio ou da pulseira começa a piorar o sono. Saiba os sinais e o que fazer.

Dormir mal preocupa muitos pacientes. Mas hoje há um problema cada vez mais comum: a ansiedade gerada pelos dados que o relógio ou a pulseira mostram sobre o sono. A isto chama-se ortosónia 1 2.

Vemo-lo com frequência em consulta. A procura de um “sono perfeito” acaba por gerar stress e, em muitos casos, esse stress piora o descanso. Por vezes, a pessoa até dormiu de forma razoável, mas perde essa perceção assim que olha para a pontuação da noite.

O que é a ortosónia?

A ortosónia não descreve apenas uma preocupação com o dormir bem. É uma preocupação exagerada com o dormir de forma perfeita, medida ao detalhe por um dispositivo. A pessoa acorda, olha para a pontuação do sono e, a partir daí, decide como foi a noite. Se o valor é baixo, assume que dormiu mal. Se o valor é alto, sente-se mais descansada.

Em vez de a tecnologia servir como apoio, passa a comandar a perceção que a pessoa tem do próprio descanso. E isso pode ser especialmente problemático para pessoas mais ansiosas, mais vigilantes ou já por si preocupadas com o tema “sono” e o cansaço acumulado.

O problema é que o sono não responde bem à pressão. Raramente melhora quando é vivido como um teste diário no qual se quer ter boa nota.

O dispositivo pode ajudar, mas não deve mandar

Convém referir: estes dispositivos não são o inimigo. Em muitas pessoas, até funcionam como motivação para criar hábitos mais saudáveis. A lógica pode ser semelhante à de um bom par de ténis. Se esse investimento ajuda alguém a cuidar melhor de si, ótimo. Com o sono, pode acontecer o mesmo.

O problema começa quando se dá mais autoridade à tecnologia do que ao próprio corpo. O dispositivo pode orientar, mas não deve substituir a sensação global de como se dormiu.

Como evitar cair neste ciclo

Vivemos numa altura em que quase tudo é medido, comparado e otimizado. O sono não escapou a essa lógica. No entanto, dormir bem não é atingir uma pontuação perfeita nem ter um gráfico bonito na aplicação.

Dormir bem é conseguir descansar com mais consistência, sem dor, com menos ansiedade e mais confiança no próprio corpo.

Em alguns casos de insónia, fazer um verdadeiro zoom out pode ser essencial para perceber o que está a contribuir para a má qualidade do sono.

É possível melhorar a qualidade do sono?

Muitas vezes, o verdadeiro problema começa muito antes da hora de deitar: no stress acumulado, na alimentação sem ritmo nem qualidade, nas preocupações constantes, nos traumas que mantêm o sistema nervoso em alerta ou até numa dor persistente que impede um descanso reparador.

Por isso, melhorar o sono raramente é apenas uma questão de dormir mais. Muitas vezes, passa por cuidar melhor do corpo, acalmar a mente e devolver segurança a um organismo que vive há demasiado tempo em esforço.

É aqui que uma abordagem integrativa pode fazer a diferença. Na Clínica Sintra Saúde, áreas como a Psicologia, a Nutrição e a Acupuntura podem ajudar a perceber melhor o que está a perturbar o sono e a encontrar estratégias mais ajustadas a cada pessoa.

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Referências bibliográficas

  1. Jahrami, H., Trabelsi, K., Vitiello, M. V., & BaHammam, A. S. (2023). The Tale of Orthosomnia: I Am so Good at Sleeping that I Can Do It with My Eyes Closed and My Fitness Tracker on Me. Nature and science of sleep15, 13–15. https://doi.org/10.2147/NSS.S402694 ↩︎
  2. Baron, K. G., Abbott, S., Jao, N., Manalo, N., & Mullen, R. (2017). Orthosomnia: Are Some Patients Taking the Quantified Self Too Far?. Journal of clinical sleep medicine : JCSM : official publication of the American Academy of Sleep Medicine13(2), 351–354. https://doi.org/10.5664/jcsm.6472 ↩︎

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